O menino bonito do Fado

O menino bonito do Fado

Chamaram-lhe “o menino bonito do fado” e foi um dos grandes responsáveis pelo rejuvenescimento do interesse pela típica canção lisboeta no pós-25 de Abril, altura em que estava quase votada ao esquecimento.

Diz cantar o fado por necessidade e por uma vocação ancestral: entre primos e irmãos, a sua linhagem está cheia de fadistas de relevo. Com uma voz inconfundível que treme de saudade e sentimento, canta Portugal e os valores portugueses como forma de expressão artística e manifesto político. Nuno da Câmara Pereira é monárquico, empresário e político mas, sobretudo, fadista.

Junho de 1951. É um início de verão quente, em Portugal, mas o país vive com frieza e distanciamento a “sucessão”, na presidência, de Francisco Craveiro Lopes a Óscar Carmona (falecido a 18 de Abril), preparada pela União Nacional, única “agremiação” política legalmente constituída.

Porém, em casa da família Câmara Pereira, nas Avenidas Novas de Lisboa, vivem-se dias de grande expectativa.