O menino bonito do Fado

1985 é um ano memorável na carreira de Nuno da Câmara Pereira. Não apenas lança um álbum homónimo, o seu terceiro disco, como aceita um desafio sem precedentes: dar um concerto na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Levar fado a esta imponente sala é algo inédito. Além disso, numa altura em que a canção lisboeta continua caída em desgraça, tentar encher os seus mais de 1.600 lugares é um risco elevado. Para colmatar o aparente caráter aziago de tal empreendimento, a data possível para a sua realização é sexta-feira, 13 de dezembro. Mas nada demove Nuno do desafio de “provar que o fado não é uma coisa menor”. Na noite marcada lá está, perante um Aula Magna esgotada e entusiástica. “Foi uma surpresa para toda a gente”, afirma Nuno da Câmara Pereira. E foi mais um passo para o “processo de paz” do público português com o fado.

Sem nunca baixar os braços, Nuno edita o seu quarto disco logo no ano seguinte, “Mar Português”, e o sucesso deste é bombástico. “É o primeiro disco de platina da música portuguesa”, afirma Nuno da Câmara Pereira.

Aliás, o disco acaba por vender mais de 100 mil cópias, atingindo o galardão da dupla platina – o que no ano de 2013 equivaleria a seis Discos de Platina – e mantém-se no primeiro lugar do top de vendas português “durante um ano”, garante o artista. Nuno da Câmara Pereira é definitivamente descoberto pelo público português, sobretudo o feminino – depressa se transformando no “menino bonito do fado” –, e o renovado interesse pelos seus discos anteriores leva a que os dois primeiros atinjam o galardão do Disco de Ouro.