O menino bonito do Fado

Entre os maiores êxitos do álbum “Mar Português” inclui-se otema inédito de Carlos Paião “Estou Velho”, que é também lançado em single, o célebre fado “Rosinha dos Limões” e a famosíssima canção do brasileiro Roberto Carlos “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”, que Nuno molda ao fado lisboeta. É com as canções deste disco que Nuno regressa, em 1986, ao palco da Aula Magna, desta vez para três concertos de lotação esgotada.

Com os espetáculos em Portugal e no estrangeiro, as solicitações para aparecer em eventos e na TV e os eternos trabalhos de preparação de novo repertório, é neste ano de 1986 que Nuno decide abandonar a carreira de engenheiro agrónomo e dedicar-se exclusivamente ao fado. Por isso, aquela é substituída pelo Novital, a casa de fados que Nuno da Câmara Pereira inaugura em Campo de Ourique, na rua S. João de Nepomuceno, onde, além do próprio, cantam muitos fadistas consagrados, sobretudo os dedicados ao chamado “fado aristocrático”.

Em 1987 continua a consagração de Nuno da Câmara Pereira junto do público nacional e estrangeiro. O Brasil é um dos seus destinos mais frequentes, onde tem sempre sucesso, e o mesmo acontece na Europa, onde os seus concertos encontram um público entusiástico em países como a vizinha Espanha, a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo, a Itália ou a França, destacando-se aqui as atuações em Paris, no Forum des Halles. Em Portugal o seu prestígio é comprovado pelo convite que lhe é dirigido para cantar o fado no Palácio da Ajuda durante a visita oficial do príncipe Carlos e de Lady Diana ao país. É uma agenda alucinante que, ainda assim, não o impede de lançar, no final do ano, o seu quinto álbum. Com “A Terra, o Mar e o Céu”, Nuno da Câmara Pereira repete oêxito do anterior: ocupa o primeiro lugar do top de vendas, “atinge o galardão do Disco de Platina e gera quatro noites esgotadas” na Aula Magna (já em janeiro de 1988), como se pode ler num press-release da EMI-Valentim de Carvalho.