O menino bonito do Fado

No ano seguinte, os concertos agendados dentro e fora do país são tantos que Nuno vê-se obrigado a abrandar os trabalhos para um novo álbum. O tempo livre de que dispõe só lhe permite lançar dois singles, “Fado Português” (do álbum acabado de publicar) e o êxito “Aconchego”, de Elba Ramalho, que chega a Disco de Ouro. É que, neste ano de 1988, na agenda do fadista está uma digressão por África, que inclui espetáculos em S. Tomé, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique, além de uma passagem pelos EUA e Canadá e do convite para participar na Gala da UNICEF, em Maastrich, na Holanda – distinção que, até então, só Amália recebera em Portugal, afirma o fadista.

No país, além dos quatro concertos na Aula Magna e de outro no Teatro Rivoli, no Porto, só no mês de agosto Nuno tem agendados cerca de 30 espetáculos. Razão por que se viu obrigado a recusar um convite para atuar no Brasil nesse mês. Mas o empresário brasileiro Óscar Onstein não aceitou a recusa e veio a Portugal só para lhe fazer uma proposta irrecusável: além de cobrir as receitas previstas de todos os concertos agendados ainda lhe ofereceu a estadia, durante um mês, na Suite Presidencial do Hotel Copacabana Palace, com regalias de grande vedeta. É assim que, em 1988, Nuno não apenas atua no Brasil como nele permanece durante um mês inteiro dando diversos concertos, nomeadamente no mítico Canecão do Rio de Janeiro.