O menino bonito do Fado

Em 1989, Nuno da Câmara Pereira edita “Guitarra”, o seu sexto disco, que assume de empréstimo o título do tema de abertura da autoria de Jorge Fernando, pela primeira vez também no papel de produtor. Com este álbum Nuno da Câmara Pereira de novo prima pelo inédito ao juntar à guitarra, no acompanhamento dos seus fados, o piano e a percussão, com as congas e os bongós tocados por João Nuno Represas, que fora fundador dos Trovante. Mesmo a tradicional guitarra tem algo de inovador, uma vez que este álbum – e os respetivos concertos – constituem a primeira grande exibição de Mário Pacheco como guitarrista, até aqui mais conhecido pelos seus dotes a tocar viola. É com o álbum “Guitarra” que Nuno da Câmara Pereira volta a pisar o palco do Coliseu dos Recreios, decorridos 12 anos sobre a sua estreia, só que desta vez com um concerto próprio e um público dedicado. Como começa a ser habitual nos concertos de Nuno, a casa está cheia, e o mesmo acontece dois dias depois, quando oconcerto se repete no Coliseu do Porto.

Os dois anos seguintes são de pausa no acelerado ritmo discográfico e de ainda maior investimento nos concertos e digressões, de que há a assinalar a estreia de Nuno em África do Sul, no Standard Bank Arena, de Joanesburgo, em 1991. No ano seguinte, encerra-se uma etapa na vida do fadista e inicia-se outra: Nuno da Câmara Pereira fecha o Novital mas lança, em Sintra, a sociedade Jardim de Monserrate, dedicada à produção e venda de plantas ornamentais e exóticas. Enquanto isso vai preparando o seu próximo disco, “Atlântico”, que lança no final do ano. Porém, a crise económica não ajuda e embora continue a ser dos fadistas portugueses com mais discos vendidos, este fica muito aquém da procura dos anteriores. Mesmo assim, este seu sétimo álbum ainda ultrapassa as 10 mil cópias vendidas, tornando-se Disco de Prata.