O menino bonito do Fado

O ano de 1993 é aquele em que o fadista Nuno da Câmara Pereira se assume também como homem político. Em homenagem à consagrada fadista Maria Teresa de Noronha, sua prima, que morre a 5 de julho, Nuno revisita o seu repertório com o disco “Tradição”, em que canta juntamente com os seus primos Vicente e José da Câmara. E é neste ano que acompanha Gonçalo Ribeiro Telles, quando este abandona o Partido Popular Monárquico (PPM), para se tornar um dos membros fundadores do Movimento o Partido da Terra (MPT), candidatando-se, de seguida, à presidência da Câmara Municipal de Sintra.

“Só à Noitinha”, o seu disco seguinte, é surpreendente. Aqui os fados de Nuno são acompanhados pela Orquestra Sinfónica da Lituânia e por uma única guitarra, tocada pelo guitarrista virtuoso Custódio Castelo. Os arranjos barrocos são assinados por Alejandro Erlich-Oliva, do grupo português de música de câmara Opus Ensemble, de onde vem também a pianista que o acompanha, Olga Prats. O disco conta ainda com a participação de Carmen Cardeal na harpa. Lançado em 1985, também este disco espelha os tempos difíceis, ficando-se pelo Disco de Prata, com mais de 10 mil cópias vendidas.

Em 1997, Nuno da Câmara Pereira comemora os 20 anos de carreira com o lançamento da sua primeira coletânea de êxitos – “Tudo do Melhor” – e um concerto no Coliseu dos Recreios, espetáculo que a sua discográfica desaconselha, tendo em conta a conjuntura e as vendas. No entanto, Nuno não se demove. “Fiz o espetáculo sem apoios e enchi o Coliseu”, conta Nuno. Pouco depois, o fadista anuncia à editora que pretende rescindir o seu contrato.