O menino bonito do Fado

De entre as várias iniciativas que patrocina durante o seu mandato destaca-se o facto de ter sido o mentor da Lei da Rádio, que reserva mais espaço à produção nacional nas estações de rádio. E, em simultâneo com a sua carreira política, vai subindo de tom o clima de desavença entre o deputado monárquico e D. Duarte Pio de Bragança, cuja pretensão ao trono Nuno da Câmara Pereira contesta. A incompatibilidade chega ao rubro em 2007, altura em que o deputado entra com um processo em tribunal contra D. Duarte Pio, por causa da questão em torno da Ordem de São Miguel da Ala, e publica um livro a que dá o título de “Usurpador”, levantando questões relativas ao processo de sucessão monárquica e aos seus protagonistas.

Pouco depois, antevendo já o fim do seu mandando como deputado, inicia a preparação e lança, em 2008, o álbum “Lusitânia”. É o 14º disco de Nuno da Câmara Pereira em que o fadista regressa às origens com os clássicos “Lenda das Rosas” e “Igreja de Santo Estêvão ” – a que ousa dar um toque pessoal longe das versões de José Pracana e Fernando Maurício, respetivamente –,e com temas originais com poemas seus, de Ary dos Santos e Almeida Garrett, musicados pelo guitarrista Custódio Castelo. Após quatro anos de silêncio, o álbum é recebido com entusiasmo.