O menino bonito do Fado

Os Câmara Pereira são uma família cheia de tradições ancestrais, nomeadamente o orgulho de ser português e o fomento da cultura e costumes mais genuinamente nacionais. Por isso, as danças que cedo fazem parte da formação das crianças são as três grandes do folclore português: o vira do Minho, o corridinho do Algarve e os passos rudimentares do fandango, dança esta que o mais velho dos rapazes, Nuno, virá a aprender a preceito mais tarde, já homem feito, na Azambuja, com o fandangueiro e poeta popular ribatejano Sebastião Arenque.

Cantar é outra das atividades que faz parte do quotidiano de uma casa cheia de crianças. Só que a canção tradicional entre os Câmara Pereira é o fado. Afinal, o pequeno Nuno é primo dos consagrados fadistas Maria Teresa de Noronha, Frei Hermano da Câmara, Teresa Tarouca, e Vicente da Câmara entre muitos outros. . Com tanta tradição fadista, o gosto pelo fado acaba, inevitavelmente, por ser passado às crianças Câmara Pereira e todos os irmãos aprendem a cantá-lo.

“A minha mãe tocava viola e cantava-se o fado lá em casa, em família, a propósito e a despropósito, ou seja, em festas de família, em quadras festivas e também quando alguém se lembrasse que lhe apetecia cantar” – viria a contar, anos mais tarde, Nuno da Câmara Pereira. Os “concertos” – e os fados – improvisados são, por isso, habituais e Francisca e Gonçalo são logo dos primeiros a distinguir-se, a que se juntará, anos mais tarde, Mico. Nuno é o mais reticente em alinhar nestas demonstrações públicas de talento, optando, geralmente, por comandar as operações e dirigir os concertos.