O menino bonito do Fado

À chegada a Évora, Nuno já leva na bagagem a instrução primária feita. Chegados os 10 anos, entra para o Liceu Nacional de Évora, escola em que recebe a instrução básica de música e solfejo, bem como os conhecimentos basilares de guitarra e viola. O Colégio Nuno Álvares é a instituição escolhida para fazer o 2º ciclo do liceu, completando assim o 7º ano do ensino secundário, e aos 16 anos Nuno ingressa na Escola de Regentes Agrícolas de Évora, para obter o bacharelato de Engenharia Agrícola, grau académico que atinge com a jovem idade de 19 anos. Faltam-lhe ainda dois anos de estágio prático para atingir o grau académico superior mas há algo que paira tenebrosamente no horizonte do jovem Nuno.

Vive-se então o ano de 1970, o país está envolvido numa terrível guerra colonial que todos os anos dizima milhares de jovens portugueses. O cumprimento do serviço militar é obrigatório para todos os rapazes da sua idade e a passagem pelo teatro de guerra é praticamente inevitável. Considerando ser esse o seu dever patriótico, em vez de protelar o cumprimento desta obrigação, Nuno da Câmara Pereira apresenta-se como voluntário na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém. Com a patente de furriel, faz a recruta, para receber a normal instrução militar, e, durante um ano, tira a especialidade de Transmissões e Criptografia.