O menino bonito do Fado

Em dezembro de 1974, já 1º Sargento e com 23 anos, regressa a Lisboa. Aqui fixa residência, numa casa no Príncipe Real, e dá início à sua vida de casado. Mas Lisboa e o país estão em rebuliço, vive-se a época do gonçalvismo e da Reforma Agrária, pelo que, sendo um monárquico convicto mas também um democrata, o que encontra desagrada-lhe. “(…) Cheguei e encontrei o país entregue aos revolucionários. Por isso mesmo comecei a cantar o fado (…)”.(1) Do ponto de vista de Nuno da Câmara Pereira, Portugal “estava a ser intencionalmente destruído por algumas pessoas”. Por isso, “dei conta de mim a cantar o fado para defender os meus valores, o meu Portugal”(1), acrescenta. A segunda consequência deste estado de coisas é o progressivo despertar da consciência política de Nuno da Câmara Pereira.

Contudo, entretanto, há que terminar a vertente prática do seu curso. Começa a trabalhar como administrador da empresa agrícola da Herdade da Janela, em Torrão, no Alentejo, quando está em plena vigência a ReformaAgrária. “Foi a única propriedade da região que não foi ocupada”, sublinha, com orgulho, muitos anos mais tarde. A isto, ainda soma o Curso de Medicina Veterinária, que começa a frequentar em 1975. Aos fins de semana, arranja tempo para se dedicar ao fado, cantando como amador no restaurante Altair, na Cruz Quebrada, na Tasca do Vítor, em Alcochete, e na “roda dos amigos”.

Este é também o ano em que se “estreia” como pai, quando a 26 de junho nasce o seu primeiro filho, que recebe, como manda a tradição, também o nome de Nuno.