O menino bonito do Fado

Antes de fazer do fado profissão, no entanto, o jovem amador considera que ainda tem de continuar a “aprender” a ser a fadista. “Tinha de me justificar. Dantes era assim: primeiro justificávamo-nos e só depois ousávamos gravar”, há de explicar 40 anos mais tarde. Por isso, Nuno continua dedicado à agricultura e à banca, enquanto vai cantando num circuito amador restrito e no seu círculo de amigos. Em 1979, troca o Crédito Agrícola de Lisboa pela Caixa Agrícola da Azambuja, onde contacta de perto com o fandango e os fandangueiros.

A 26 de junho, no dia do aniversário do seu primogénito, nasce a sua filha Carlota e é também por esta altura que, pela primeira vez é convidado a gravar um disco. Mas Nuno da Câmara Pereira continua a achar que ainda é cedo para se aventurar nisso. Porém, nem toda a gente partilha desta opinião, nomeadamente João Ferreira-Rosa, o grande fadista e proprietário da célebre casa de fados Taverna do Embuçado que Nuno entretanto conhecera nas suas noites de fadistice. Para o aliciar a gravar o seu primeiro disco, o empresário-fadista até lhe oferece um fado inédito de sua autoria, “Acabou o Arraial”, mas Nuno mantém-se inabalável e parte para a Holanda para fazer uma especialização em horticultura.

Em 1980, deixa-se finalmente convencer e começa a dar os primeiros passos para gravar o seu primeiro disco. Apadrinhado por João Ferreira-Rosa, o álbum “Fado!” é gravado no final de 1981 e lançado em janeiro do ano seguinte. Dele fazem parte novas versões de fados clássicos, o tema “Acabou o Arraial”, com um inovador acompanhamento de guitarra tocada à moda de Coimbra por Fontes Rocha, e o obrigatório “Cavalo Ruço”, o seu êxito de estreia no Coliseu, que faz um sucesso estrondoso e será, daqui para a frente, o seu ex-libris.