Em 1987 continua a consagração de Nuno da Câmara Pereira junto do público nacional e estrangeiro. O Brasil é um dos seus destinos mais frequentes, onde tem sempre sucesso, e o mesmo acontece na Europa, onde os seus concertos encontram um público entusiástico em países como a vizinha Espanha, a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo, a Itália ou a França, destacando-se aqui as atuações em Paris, no Forum des Halles. Em Portugal o seu prestígio é comprovado pelo convite que lhe é dirigido para cantar o fado no Palácio da Ajuda durante a visita oficial do príncipe Carlos e de Lady Diana ao país. É uma agenda alucinante que, ainda assim, não o impede de lançar, no final do ano, o seu quinto álbum.

Com “A Terra, o Mar e o Céu”, Nuno da Câmara Pereira repete o êxito do anterior: ocupa o primeiro lugar do top de vendas, “atinge o galardão do Disco de Platina e gera quatro noites esgotadas” na Aula Magna (já em janeiro de 1988), como se pode ler num press-release da EMI-Valentim de Carvalho.

No ano seguinte, os concertos agendados dentro e fora do país são tantos que Nuno vê-se obrigado a abrandar os trabalhos para um novo álbum. O tempo livre de que dispõe só lhe permite lançar dois singles, “Fado Português” (do álbum acabado de publicar) e o êxito “Aconchego”, de Elba Ramalho, que chega a Disco de Ouro. É que, neste ano de 1988, na agenda do fadista está uma digressão por África, que inclui espetáculos em S. Tomé, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique, além de uma passagem pelos EUA e Canadá e do convite para participar na Gala da UNICEF, em Maastrich, na Holanda – distinção que, até então, só Amália recebera em Portugal, afirma o fadista.

No país, além dos quatro concertos na Aula Magna e de outro no Teatro Rivoli, no Porto, só no mês de agosto Nuno tem agendados cerca de 30 espetáculos. Razão por que se viu obrigado a recusar um convite para atuar no Brasil nesse mês. Mas o empresário brasileiro Óscar Onstein não aceitou a recusa e veio a Portugal só para lhe fazer uma proposta irrecusável: além de cobrir as receitas previstas de todos os concertos agendados ainda lhe ofereceu a estadia, durante um mês, na Suite Presidencial do Hotel Copacabana Palace, com regalias de grande vedeta.

É assim que, em 1988, Nuno não apenas atua no Brasil como nele permanece durante um mês inteiro dando diversos concertos, nomeadamente no mítico Canecão do Rio de Janeiro. Em 1989, Nuno da Câmara Pereira edita “Guitarra”, o seu sexto disco, que assume de empréstimo o título do tema de abertura da autoria de Jorge Fernando, pela primeira vez também no papel de produtor. Com este álbum Nuno da Câmara Pereira de novo prima pelo inédito ao juntar à guitarra, no acompanhamento dos seus fados, o piano e a percussão, com as congas e os bongós tocados por João Nuno Represas, que fora fundador dos Trovante. Mesmo a tradicional guitarra tem algo de inovador, uma vez que este álbum – e os respetivos concertos – constituem a primeira grande exibição de Mário Pacheco como guitarrista, até aqui mais conhecido pelos seus dotes a tocar viola. É com o álbum “Guitarra” que Nuno da Câmara Pereira volta a pisar o palco do Coliseu dos Recreios, decorridos 12 anos sobre a sua estreia, só que desta vez com um concerto próprio e um público dedicado. Como começa a ser habitual nos concertos de Nuno, a casa está cheia, e o mesmo acontece dois dias depois, quando o concerto se repete no Coliseu do Porto.